"If I could only stop my head from going into constant infection, then maybe I could swim back to my own version of consistent sanity."

Serj Tankian


Thursday, February 18, 2010
o capítulo seguinte

Sem despedidas longas e sem lamentos desnecessários. O "love is suicide" já estava encerrado, mas agora sim se deu o virar da página. Este capítulo está concluído e venha daí um novo. Durante muito tempo não fez sentido procurar refúgio na escrita, porque as emoções eram demasiado tristes e negras para as querer partilhar. Mas o processo de cura é assim mesmo, leva tempo e deixa cicatrizes que ficarão para sempre. Não estou curado. Talvez nem haja cura para o meu mal. Mas cresci e comigo cresceu a vontade de voltar a escrever.

Agora é tempo de expurgar os demónios e tentar redescobrir a satisfação que a escrita me trouxe durante tanto tempo.

A narrativa prossegue aqui, em 'a love like crime'.


Posted at 22:18 by Ishkur
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Wednesday, April 29, 2009
intermission

entrei no teu jogo como um louco,
fui ingénuo e tu tão fatal.
joguei-me todo e foi tão pouco,
o amor é o teu instinto mais cruel

enquanto te sigo melhor me faço o teu troféu

entrei no teu jogo como um louco,
eu sou o teu escravo mais leal

refrão ele:
ordena que te ame,
e odeia quando falho.
mas usa, abusa de mim e eu serei
feliz até ao fim

marquei as unhas no corpo,
tornei-me um bicho irreal.
infectei o lugar onde me punhas.
o amor é este monstro final

gostas do teu troféu erguido neste inferno?

marquei o corpo com as unhas,
pus-me um louco tão original

refrão ele:
ordena que te ame
e odeia quando falho.
mas usa, abusa de mim e eu serei
feliz até ao fim

refrão ela:
ordeno que me odeies,
amo que tu sofras.
o que uso, abuso, é sempre assim,
morrerá por mim

refrão ele:
ordena que te queira
e odeia quando paro.
leva-me, arrasta o meu corpo
desfeito em pó

refrão ela:
ordeno-te à minha beira,
amo-te monstro raro.
anda, eu quero-te morto,
desfeito em pó




'ordena que te ame' de valter hugo mãe

Posted at 02:51 by Ishkur
 




Tuesday, January 27, 2009
...

"...a maioria dos seres humanos estão inevitavelmente sozinhos e é aí que reside a sua tragédia."


Richard Yates

Posted at 18:07 by Ishkur
 




Sunday, October 19, 2008
Em discurso directo

BENVÓLIO - Feliz madrugada, primo!
ROMEU - É assim tão cedo?
BENVÓLIO - Acabam de dar as nove.
ROMEU - Ai de mim! Como as horas tristes parecem longas! Não era meu pai essa pessoa que se afastava daqui com tanta pressa?
BENVÓLIO - Era. Mas que desgosto é esse que assim alonga as horas de Romeu?
ROMEU - É o de não possuir aquilo que, possuído, mas tornaria rápidas.
BENVÓLIO - Amores?
ROMEU - Privado...
BENVÓLIO - De amores?
ROMEU - Privado dos favores daquela a quem adoro.
BENVÓLIO - Ah! Porque será que o amor, sendo tão terno na aparência, se torna tirano e cruel quando se experimenta?
ROMEU - Sim! Porque será que, tendo o amor os olhos vendados, descobre, mesmo cego, os caminhos que a sua vontade deseja? - Onde iremos jantar? - Ai de mim! - O que é que houve aqui há pouco? Não mo digas, porque já soube tudo. - Muito dá o ódio que fazer, mas ainda mais dá o amor. Oh, amor turbulento! Oh, ódio de amor! Oh, coisa misteriosa que do nada vem! Oh, pesada leveza, vaidade séria, caos informe de formas sedutoras, pena de chumbo, fumo resplandecente, fogo gelado, saúde doentia, sono em perpétua vigília, que nunca é o que é! - Tal é o amor que sinto, sem sentir em tal amor amor algum. E tu não te ris?
BENVÓLIO - Não, primo, antes choro.
ROMEU - Querido amigo! E porquê?
BENVÓLIO - Pela opressão do teu bom coração.
ROMEU - Que queres? São assim as crueldades do amor! Os meus próprios pesares dilatam o meu peito, e tu fá-lo-ás transbordar se lhe acrescentares os teus. Essa afeição que me mostraste vem juntar mais dor ainda ao excesso da minha. O amor é fumo feito de hálito dos suspiros; se o alimentam, é fogo cintilante nos olhos dos amantes; se o contrariam, é um mar feito de lágrimas. E que mais é? Discretíssima loucura, fel que amarga e mel que sustenta. Adeus, primo.


(Romeu e Julieta, de W. Shakespeare)





Oscar Wilde escreveu um dia: "The mystery of love is greater than the mystery of death". Quão trágicos podem ser os finais para as mais belas histórias de amor. E talvez esse mistério não possa mesmo ser desvendado. Porque, quando feridos de amor, a ténue linha que separa a lógica da emoção facilmente é ultrapassada e perdemo-nos no acalentar de uma esperança vã.

Estes últimos dias foram duros para mim, de uma intensidade emocional que não sentira antes, ou talvez só aquando da perda de alguém muito querido e próximo. E pela primeira vez desde a criação deste meu refúgio virtual (em 2004), que criei para dar largas ao prazer da escrita, sinto que não tenho mais a inspiração e a vontade necessárias para prosseguir. As minhas emoções (boas e más) sempre foram a força motriz por detrás deste lado mais criativo. Escrever agora iria redundar em algo negro e melancólico, e não quero isso.

Perdi-me pelo caminho. E preciso encontrá-lo de novo. Encontrar-me. Alguém me disse por estes dias que "o futuro é uma incógnita". Veremos então o que me está reservado. E talvez tudo se componha. E de novo nasça a vontade de escrever. Por isso não me despeço de vós nem vos digo até breve. Aos que foram seguindo e comentando, um obrigado por dedicarem algum do vosso tempo a conhecer um lado mais íntimo da minha personalidade. Espero que de alguma forma vos tenha inspirado.


Posted at 18:34 by Ishkur
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Tuesday, October 07, 2008
Chagas

Num instante, todo o mundo desabou sob os meus pés. Os joelhos tremeram e as pernas cederam, nervosos com aquele som terrífico e tão temido que é o som do desgosto. Esse som que é um estilhaçar de esperanças, uma perda de fé. E apertou-se-me o peito. Com tanta força que por instantes deixei de ver e ouvir. Incapaz de reagir. Impotente.

 

Sinto a lucidez escapar-me por entre os dedos, nas horas mais negras. Perco-me em deambulações e divagações. Questionando a força que me impele. E o mundo vai girando, em torno de um sol que já não é meu. Um mundo que me empurra, ou que me puxa?

 

E enquanto mergulho no mais íntimo do meu ser, percebo agora as razões que levaram à loucura. Percebo os gritos mudos e os suspiros perdidos. Percebo a cegueira egoísta que me acorrentou a esta dor, companheira de agora.

 

Quero um novo amanhã. Sem pesos e arrependimentos. Sem espaços vazios. Quero dar mais. E voltar a sentir esse calor na face. De um sol que nasce todas as manhãs para dar razão aos meus dias.



Posted at 22:44 by Ishkur
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Saturday, August 09, 2008
No ordinary love

Ultimamente as horas custam tanto a passar. Na incerteza de quando sentirei novamente o conforto do teu abraço. A silenciosa solidão da noite tem-me deixado de rastos. E a mente mergulha em medos e inseguranças, tão característicos do meu ser. Procuro refúgio, mas quero encontrá-lo contigo lá. Será egoísmo meu? Querer estar do teu lado? Será desejar mais do que mereço? Amar-te assim tanto?

Perco-me ao virar de cada esquina, enquanto o meu olhar te procura ali do meu lado. Sempre precisei da tua força para ter a minha. Estarão os papéis invertidos? Mas então, porque não te chega o calor do meu amor? Não quero perder o que tenho de mais importante, não te vou deixar cair!

As memórias ainda tão recentes de tanta coisa boa. Os sítios, os cheiros, os beijos. Tudo isso tem de contar. Desculpa-me então se não tenho sido o espírito sensível de que precisas. Mas não fujas tu de mim também. O nosso caminho é feito lado a lado.



This is no ordinary love...









Posted at 15:50 by Ishkur
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Monday, May 26, 2008
Cisma




Foto da autoria de
Peter Westermann



Fundo preto. Silêncio. Vazio. Se fechares os olhos e susteres a respiração por instantes consegues ouvir o mundo. Consegues sentir cada batida. Tique-taque. Esse ritmo cadenciado, sinónimo de vida. E a essência percorre-te as veias. Atinge cada extremo sensorial do teu corpo. É tão bom sentir. Não deixes nunca que te digam o contrário.

Se te deixares levar no embalo desses sentimentos tão vagos e indefiníveis a viagem não parecerá tão longa. De cada vez que amas, cada poro do teu corpo irradia energia, paz e conforto. Nesse subliminal orgasmo dos sentidos. Irrepetível, dirás. Impossível até. Mas não.

És feita de cores e formas. Pinceladas bruscas numa tela suave, nunca pintada por mãos tão perfeitas. E no centro está esse mesmo amor. Que te faz voltar a ti de cada vez que os minutos são dias e os dias são anos e os anos são vidas. É que o teu ser renasce com o meu. E a profusão de cores é a obra mais perfeita. Irrepetível, dirás. Impossível até. Mas não.

Flutuamos na aura daquilo que olhares cúmplices guardam em segredo. Sussurros escutados com o coração. Não há nada mais em volta. Ascende e descobre o fim do arco-íris.

Não será apenas um sonho, um devaneio alucinado, mas sim algo mais. Muito mais. Agora que essa essência preenche o espaço nas entrelinhas do teu ser, abre os olhos. Vê que é real. Mesmo sem as cores. Só tu e eu. Sem espaços em branco.


Posted at 22:06 by Ishkur
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Friday, April 25, 2008
Valsa de loucos

Ouvimos os primeiros acordes dessa valsa louca e saltamos de alegria. Incapazes de lhe resistir lançamo-nos de corpo e alma à pista e dançamos. Os pés marcam o ritmo, como a batida do coração.

Encostamos os corpos embalados pela música e tornamo-nos unos. Num instante de pura magia. Em que o espírito se eleva. E o tacto é tudo. Tão gentil e preciso como o bater de asas de um pássaro livre. Ele, que caminha sem medo, sem medir o perigo, fiel apenas à sua vontade de chegar.

E o rodopio intensifica-se. Fechamos os olhos e sonhamos. Mundos, amores, pessoas. Dançamos debaixo de uma chuva de flores, rodeados de arco-íris. Esse calor que nos abraça. E podemos até chorar. Que tudo está bem. Basta trocar uma nota, afinar a melodia e voltamos aonde estávamos.

E entre os que gritam 'estão loucos! estão loucos!' não veremos mais que a ignorância dos surdos que não ouvem a música. E saber que ela está lá. Porque também tu danças comigo. Não podemos estar sós no mundo. E, se estivermos, que seja o mundo contra nós, que nós podemos bem com ele. Os dias são nossos e só quando o maestro disser 'basta! venha a próxima!' recuperaremos o fôlego. Porque esta vida não é mais que uma valsa de loucos. E ou dançamos ou ficamos sem par. Eu escolho dançar.

Posted at 01:52 by Ishkur
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Thursday, March 13, 2008
Noite submersa

 
(Luis Royo)



    Naquela noite a lua trazia consigo o prenúncio de algo terrível. O ar estava mais pesado e nele pairava uma estranha neblina. As ruas estavam desertas, como se a aquela hora todas as pessoas se tivessem fechado dentro de casa, com medo do que aí vinha. Não se ouvia nada a não ser os ruídos habituais das horas mais tardias, o miar dos gatos vadios, a lâmpada do poste de electricidade a fundir, o som dos tubos de escape. Miguel vagueava sozinho, de cigarro na boca e mãos nos bolsos. Usava um casaco de cabedal escuro, uns jeans rasgados no joelho e botas da tropa. Mesmo sendo de noite usava óculos de Sol. Se juntarmos a isto o cabelo rapado e os piercings, facilmente se percebe que não era uma figura convidativa a dois dedos de conversa banal. A robustez do seu tronco maciço ajudavam a torná-lo intimidante. Era corpulento mas de movimentos ágeis. Caminhava a passos lentos, olhar fixo no horizonte, sem se distrair com o que o rodeava. O seu rosto era de uma palidez estranha, o que era realçado quando vestia de negro. Entrou numa viela suja, com papéis e lixo espalhado pelo chão. As poças de água porca libertavam um cheiro fétido a podre. Meia dúzia de passos à frente havia um bar. Nada convidativo. Para se entrar era preciso descer um lanço de escadas, o que no contexto daquele cenário fazia parecer que se caminhava para um qualquer fosso nojento. Miguel abriu uma porta de aço pesada e entrou. A atmosfera estava severamente agressiva tais eram as quantidades de fumo. Uma pessoa normal ficaria mal disposta logo aí. Era um antro absoluto. Bêbedos, drogados, chulos, ali havia de tudo. Haviam apenas meia dúzia de mesas, todas ocupadas com garrafas de cerveja vazias e cinzeiros a transbordar. Ao balcão estava sentado um velho gordo de barbas amarelas e sem metade dos dentes. À frente tinha uma garrafa de whiskey meia vazia. Havia uma jukebox old school e no espaço entre as mesas e o balcão estava improvisada uma pista de dança onde dançavam mulheres em trajes mínimos. Por fim, a um canto, no caminho para o WC havia uma mesa de snooker onde um grupo de típicos mânfios jogava a dinheiro. O empregado de balcão era um africano largo, careca, nos seus cinquenta anos.
    Olhou em redor como que à procura de algo ou alguém. Junto à mesa de snooker o seu olhar cruzou-se com o de uma jovem belíssima. Parecia já bastante alcoolizada pelo ar esgazeado com que o fitou por instantes. Sorriu-lhe e bebeu mais um golo da sua cerveja. Ele não esboçou qualquer reacção. Caminhou até ao balcão e sentou-se. Pediu um bloody mary. Na televisão, a um canto do bar, estava a dar o resumo alargado de um jogo qualquer de futebol. O gordo de barbas comentou qualquer coisa consigo. Ignorou o comentário e nem olhou para ele. Voltou a passar os olhos pelo bar, fitando em particular o grupo das miúdas que dançavam. A maioria delas terminaria a noite na cama de algum daqueles bêbedos. « Putas idiotas » pensou. Quando voltou a atenção para o jogo de snooker reparou que a jovem continuava a fitá-lo. Estava encostada à mesa, de costas voltadas para o jogo, ignorando-o completamente e parecendo mais interessada no nosso amigo. Subitamente, começou a caminhar na sua direcção, ziguezagueando durante o percurso. Ele virou-se para o gordo e ofereceu-lhe o bloody mary.
    - Obrigado, amigo! Mas, nem lhe tocou...
    - Não se preocupe. Já tenho que chegue para esta noite...
    Dali a cinco minutos estavam fora do bar. Ela agarrada ao braço dele, sem forças para caminhar sobre os seus próprios pés. - Fofo! - sorria-lhe ela. Ele ignorava-a e continuava concentrado no seu percurso. Andaram um bom bocado, gradualmente afastando-se do centro da cidade, em direcção ao parque florestal. Ela ia falando sozinha, balbuciando todo o tipo de baboseiras e soltando esporádicamente uma gargalhada mais alta. O facto de ele não lhe dar resposta não a incomodava, o seu cérebro não chegava para tanto na altura.
    Quando chegaram ao parque ela quis sentar-se para descansar um pouco. Sentia-se tonta. Quando ele lhe disse que estava quase, parou bruscamente e num espasmo repentino, vomitou-lhe no braço. Apesar de não o demonstrar, Miguel enfureceu-se. Apetecia-lhe castigá-la por tal insolência e acto irresponsável. « Raça deprimente! » disse para si mesmo. Sabia que bastava um estalo para a desfazer em pedaços. Mas não. Naquela noite tinha planos diferentes para a miúda. Despiu o casaco e atirou-o para um canto. Pegou-lhe pelo braço e enfiaram pelo meio das árvores. Chegados a um local mais escuro, longe das luzes artificiais dos postes e camuflados por arbustos altos, largou-a e ela caiu de joelhos no chão. A sua sobriedade era nula e não deveria durar muito mais tempo acordada. Tinha limpado a boca ao vestido e nessa altura ele reparou que ela não trazia cuecas por baixo. Perguntou-lhe se estava melhor - não que realmente se importasse - e ela acenou que sim. Foi então que, do nada, ela se aproximou dele, e ainda de joelhos, lhe começou a desabotoar as calças. Miguel parou-a e agarrou-lhe suavemente o rosto.
    - Não querida. Não estamos aqui para isso.
    Ela não entendia. Ergueu-a até ficar de pé e sorriu. Então, num movimento brusco virou-a de costas e encostou-a a um dos troncos, prendendo-a com o braço no seu pescoço. Ela ainda não entendia o que se estava a passar. Rasgou-lhe o vestido pelas costas e ela ficou desnudada. Por esta altura a sua nova amiga parecia já ter entendido tudo.
    - Gostas de ser bruto, fofo!? Não faz mal... Faz de mim o que quiseres!
    Ela não precisava de pedir. Em boa sinceridade, o seu papel em toda esta história era de uma irrelevância total. O seu destino estava traçado e já não havia volta a dar. E a sua voz começava a irritá-lo, por isso, quanto mais depressa acabasse com tudo mais rapidamente voltaria à sua vida. Puxou-lhe os cabelos para o lado, encostou o seu corpo musculado ao dela e abriu a boca, cravando-lhe os caninos afiados na pele, perfurando-lhe a tenra carne do pescoço.

    Acabou num segundo. Não tinha doído nada. Deixou o corpo dela caído no local, seria apenas mais uma vítima de violação, fruto do crime e das noites cada vez mais perigosas da cidade. Ninguém pensaria em fábulas e monstros. E ele, estava saciado por esta noite. Podia voltar para trás, pegar no casaco de cabedal que tanto estimava e regressar a casa.
     Limpou a boca. E mergulhou de novo na noite. A sua eterna aliada.


Posted at 01:38 by Ishkur
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Thursday, January 24, 2008
24.01.08

Já pararam para pensar? Travaram por instantes a vossa caminhada e fecharam os olhos e inspiraram? Absorvendo os cheiros e as sensações do que vos rodeia. É como ouvir uma bela música cheia de pedacinhos de encanto. Tão simples como isso.

Há sempre um momento mágico que nos preenche o dia e faz sentir completamente em paz. Como o nascer do Sol, rabiscos alaranjados por entre a neblina matinal, e a brisa da manhã no rosto, gelada, que nos desperta os sentidos. Descer a estrada por entre árvores de mãos dadas, ramos entrelaçados e verdes acastanhados de fim de Inverno. Ou simplesmente abraçar no peito a pessoa que mais queremos.

Tudo isto e muito mais. Basta inspirar. Ora tentem lá. Já pensaram que cada minuto que passa é um passo mais rumo ao amanhã. E que fazem com ele?

Hoje lembrei-me do meu avô. Da sua alegria de viver. Tenho saudades. Lembrei-me de caminhadas e dias cheios com os mais simples pormenores. De aprender o prazer da companhia. De disfrutar o lugar.

Quando somos jovens pensamos sempre que o tempo não se esgota nunca. Vivemos despreocupadamente sem pensar em amanhãs. Acho isso precioso, essa inocência desregrada que nos faz felizes. Por isso sabe bem inspirar de vez em quando. Tomar o pulso à corrente. Voltar a abrir os olhos e seguir caminho. Qualquer caminho. E que a nossa vida seja cheia de momentos mágicos.


Posted at 23:29 by Ishkur
(2) comentários  




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"...Speak the words I wanna hear,
to make my demons run.
The door is locked now,
but it's opened if you're true.
If you can understand the me,
then I can understand the you..."


Metallica - The Unforgiven II











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