Ouvimos os primeiros acordes dessa valsa louca e saltamos de alegria. Incapazes de lhe resistir lançamo-nos de corpo e alma à pista e dançamos. Os pés marcam o ritmo, como a batida do coração.
Encostamos os corpos embalados pela música e tornamo-nos unos. Num instante de pura magia. Em que o espírito se eleva. E o tacto é tudo. Tão gentil e preciso como o bater de asas de um pássaro livre. Ele, que caminha sem medo, sem medir o perigo, fiel apenas à sua vontade de chegar.
E o rodopio intensifica-se. Fechamos os olhos e sonhamos. Mundos, amores, pessoas. Dançamos debaixo de uma chuva de flores, rodeados de arco-íris. Esse calor que nos abraça. E podemos até chorar. Que tudo está bem. Basta trocar uma nota, afinar a melodia e voltamos aonde estávamos.
E entre os que gritam 'estão loucos! estão loucos!' não veremos mais que a ignorância dos surdos que não ouvem a música. E saber que ela está lá. Porque também tu danças comigo. Não podemos estar sós no mundo. E, se estivermos, que seja o mundo contra nós, que nós podemos bem com ele. Os dias são nossos e só quando o maestro disser 'basta! venha a próxima!' recuperaremos o fôlego. Porque esta vida não é mais que uma valsa de loucos. E ou dançamos ou ficamos sem par. Eu escolho dançar.