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![]() (Luis Royo) Olhou em redor como que à procura de algo ou alguém. Junto à mesa de snooker o seu olhar cruzou-se com o de uma jovem belíssima. Parecia já bastante alcoolizada pelo ar esgazeado com que o fitou por instantes. Sorriu-lhe e bebeu mais um golo da sua cerveja. Ele não esboçou qualquer reacção. Caminhou até ao balcão e sentou-se. Pediu um bloody mary. Na televisão, a um canto do bar, estava a dar o resumo alargado de um jogo qualquer de futebol. O gordo de barbas comentou qualquer coisa consigo. Ignorou o comentário e nem olhou para ele. Voltou a passar os olhos pelo bar, fitando em particular o grupo das miúdas que dançavam. A maioria delas terminaria a noite na cama de algum daqueles bêbedos. « Putas idiotas » pensou. Quando voltou a atenção para o jogo de snooker reparou que a jovem continuava a fitá-lo. Estava encostada à mesa, de costas voltadas para o jogo, ignorando-o completamente e parecendo mais interessada no nosso amigo. Subitamente, começou a caminhar na sua direcção, ziguezagueando durante o percurso. Ele virou-se para o gordo e ofereceu-lhe o bloody mary. - Obrigado, amigo! Mas, nem lhe tocou... - Não se preocupe. Já tenho que chegue para esta noite... Dali a cinco minutos estavam fora do bar. Ela agarrada ao braço dele, sem forças para caminhar sobre os seus próprios pés. - Fofo! - sorria-lhe ela. Ele ignorava-a e continuava concentrado no seu percurso. Andaram um bom bocado, gradualmente afastando-se do centro da cidade, em direcção ao parque florestal. Ela ia falando sozinha, balbuciando todo o tipo de baboseiras e soltando esporádicamente uma gargalhada mais alta. O facto de ele não lhe dar resposta não a incomodava, o seu cérebro não chegava para tanto na altura. Quando chegaram ao parque ela quis sentar-se para descansar um pouco. Sentia-se tonta. Quando ele lhe disse que estava quase, parou bruscamente e num espasmo repentino, vomitou-lhe no braço. Apesar de não o demonstrar, Miguel enfureceu-se. Apetecia-lhe castigá-la por tal insolência e acto irresponsável. « Raça deprimente! » disse para si mesmo. Sabia que bastava um estalo para a desfazer em pedaços. Mas não. Naquela noite tinha planos diferentes para a miúda. Despiu o casaco e atirou-o para um canto. Pegou-lhe pelo braço e enfiaram pelo meio das árvores. Chegados a um local mais escuro, longe das luzes artificiais dos postes e camuflados por arbustos altos, largou-a e ela caiu de joelhos no chão. A sua sobriedade era nula e não deveria durar muito mais tempo acordada. Tinha limpado a boca ao vestido e nessa altura ele reparou que ela não trazia cuecas por baixo. Perguntou-lhe se estava melhor - não que realmente se importasse - e ela acenou que sim. Foi então que, do nada, ela se aproximou dele, e ainda de joelhos, lhe começou a desabotoar as calças. Miguel parou-a e agarrou-lhe suavemente o rosto. - Não querida. Não estamos aqui para isso. Ela não entendia. Ergueu-a até ficar de pé e sorriu. Então, num movimento brusco virou-a de costas e encostou-a a um dos troncos, prendendo-a com o braço no seu pescoço. Ela ainda não entendia o que se estava a passar. Rasgou-lhe o vestido pelas costas e ela ficou desnudada. Por esta altura a sua nova amiga parecia já ter entendido tudo. - Gostas de ser bruto, fofo!? Não faz mal... Faz de mim o que quiseres! Ela não precisava de pedir. Em boa sinceridade, o seu papel em toda esta história era de uma irrelevância total. O seu destino estava traçado e já não havia volta a dar. E a sua voz começava a irritá-lo, por isso, quanto mais depressa acabasse com tudo mais rapidamente voltaria à sua vida. Puxou-lhe os cabelos para o lado, encostou o seu corpo musculado ao dela e abriu a boca, cravando-lhe os caninos afiados na pele, perfurando-lhe a tenra carne do pescoço. Acabou num segundo. Não tinha doído nada. Deixou o corpo dela caído no local, seria apenas mais uma vítima de violação, fruto do crime e das noites cada vez mais perigosas da cidade. Ninguém pensaria em fábulas e monstros. E ele, estava saciado por esta noite. Podia voltar para trás, pegar no casaco de cabedal que tanto estimava e regressar a casa. Limpou a boca. E mergulhou de novo na noite. A sua eterna aliada. |
| Smokey April 14, 2008 07:54 PM PDT Os teus contos fazem-me lembrar sin city. | ||
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