Entry: Cisma Monday, May 26, 2008






Foto da autoria de
Peter Westermann



Fundo preto. Silêncio. Vazio. Se fechares os olhos e susteres a respiração por instantes consegues ouvir o mundo. Consegues sentir cada batida. Tique-taque. Esse ritmo cadenciado, sinónimo de vida. E a essência percorre-te as veias. Atinge cada extremo sensorial do teu corpo. É tão bom sentir. Não deixes nunca que te digam o contrário.

Se te deixares levar no embalo desses sentimentos tão vagos e indefiníveis a viagem não parecerá tão longa. De cada vez que amas, cada poro do teu corpo irradia energia, paz e conforto. Nesse subliminal orgasmo dos sentidos. Irrepetível, dirás. Impossível até. Mas não.

És feita de cores e formas. Pinceladas bruscas numa tela suave, nunca pintada por mãos tão perfeitas. E no centro está esse mesmo amor. Que te faz voltar a ti de cada vez que os minutos são dias e os dias são anos e os anos são vidas. É que o teu ser renasce com o meu. E a profusão de cores é a obra mais perfeita. Irrepetível, dirás. Impossível até. Mas não.

Flutuamos na aura daquilo que olhares cúmplices guardam em segredo. Sussurros escutados com o coração. Não há nada mais em volta. Ascende e descobre o fim do arco-íris.

Não será apenas um sonho, um devaneio alucinado, mas sim algo mais. Muito mais. Agora que essa essência preenche o espaço nas entrelinhas do teu ser, abre os olhos. Vê que é real. Mesmo sem as cores. Só tu e eu. Sem espaços em branco.

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