Entry: Chagas Tuesday, October 07, 2008



Num instante, todo o mundo desabou sob os meus pés. Os joelhos tremeram e as pernas cederam, nervosos com aquele som terrífico e tão temido que é o som do desgosto. Esse som que é um estilhaçar de esperanças, uma perda de fé. E apertou-se-me o peito. Com tanta força que por instantes deixei de ver e ouvir. Incapaz de reagir. Impotente.

 

Sinto a lucidez escapar-me por entre os dedos, nas horas mais negras. Perco-me em deambulações e divagações. Questionando a força que me impele. E o mundo vai girando, em torno de um sol que já não é meu. Um mundo que me empurra, ou que me puxa?

 

E enquanto mergulho no mais íntimo do meu ser, percebo agora as razões que levaram à loucura. Percebo os gritos mudos e os suspiros perdidos. Percebo a cegueira egoísta que me acorrentou a esta dor, companheira de agora.

 

Quero um novo amanhã. Sem pesos e arrependimentos. Sem espaços vazios. Quero dar mais. E voltar a sentir esse calor na face. De um sol que nasce todas as manhãs para dar razão aos meus dias.


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