|
Num
instante, todo o mundo desabou sob os meus pés. Os joelhos tremeram e as pernas
cederam, nervosos com aquele som terrífico e tão temido que é o som do
desgosto. Esse som que é um estilhaçar de esperanças, uma perda de fé. E
apertou-se-me o peito. Com tanta força que por instantes deixei de ver e ouvir.
Incapaz de reagir. Impotente. Sinto
a lucidez escapar-me por entre os dedos, nas horas mais negras. Perco-me em
deambulações e divagações. Questionando a força que me impele. E o mundo vai
girando, em torno de um sol que já não é meu. Um mundo que me empurra, ou que
me puxa? E
enquanto mergulho no mais íntimo do meu ser, percebo agora as razões que
levaram à loucura. Percebo os gritos mudos e os suspiros perdidos. Percebo a
cegueira egoísta que me acorrentou a esta dor, companheira de agora. Quero um novo amanhã. Sem pesos e arrependimentos. Sem espaços vazios. Quero dar mais. E voltar a sentir esse calor na face. De um sol que nasce todas as manhãs para dar razão aos meus dias. |
| Leave a Comment: |